Desde do ano de 2007 sou membro da Academia de
Letras de Pará de Minas. Nela ocupo a cadeira de nº 14, e como primeiro
ocupante desta cadeira pude escolher o
patrono: João Dornas Filho. A escolha de João Dornas para aquela
cadeira, além de imortalizar o seu nome, deu-me a responsabilidade de divulgar
a sua produção literária naquela cidade e ao fazê-lo contribuir com a sua produção
literária. Este é o sentido básico da existência de uma Academia de Letras. Não
se trata de vangloriar-nos a nós mesmos, trata-se, antes de tudo, colocar-nos a
serviço da sociedade através da nossa produção literária e da produção
literárias dos outros, sendo eles acadêmicos ou não. Ser membro de uma Academia
é, acima de tudo, acreditar que, pela palavra, podemos contribuir para a construção
de uma sociedade melhor. Não se trata de uma honraria, embora seja honroso.
Tenho consciência que não sou um grande escritor,
não sou o melhor; muitos melhores do que eu me antecederam, e muitos outros,
também melhores do que eu, me precederão. No entanto, independentemente da
qualidade dos textos que agora estamos produzindo ou que já tenhamos produzido,
temos consciência de que estamos num processo de construção, de melhoria e de
aperfeiçoamento. Somos, enfim, aprendizes. É nessa condição que hoje estamos
criando a Academia Itaunense de Letras. Estamos aqui, nesta Academia para aprender:
com Mário Mattos, com João Dornas Filho, com Nise Campos, com David de
Carvalho, com Oscar Dias Corrêa, e cada um daqueles que escolhemos para serem
os patronos das cadeiras que ocupamos. Mas também aprenderemos com aqueles que
virão depois de nós, com os mais jovens. Nesse sentido a Academia Itaunense de
Letras, é mais que uma associação cultural literária, é uma associação
educacional e educativa, essencial para uma cidade que quer, ou que se propõe,
ser EDUCATIVA.
E, embora pareça contraditório, escolhi como meu
patrono da cadeira que ocuparei nesta Academia, não um itaunense, pois os
escritores itaunenses terei como obrigação de estudá-los e com eles aprender,
mas escolhi um pantaneiro. Escolhi como patrono um dos maiores poetas brasileiros,
falecido aos 13 de novembro de 2014: Manoel Wenceslau Leite de Barros, ou
simplesmente MANOEL DE BARROS. E é, com
sua poesia, que encerro este preâmbulo:
Retrato do artista quando coisa
A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
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